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Tenho H. pylori! E agora?

O Helicobacter pylori (HP), além do seu já conhecido papel nos casos de gastrites e “úlceras de estômago” (úlceras gastroduodenais), é reconhecido hoje em dia como sendo a principal causa de câncer de estômago.

Trata-se de uma bactéria que pode colonizar o estômago, causando um processo inflamatório (gastrite) que, se não tratado adequadamente, pode tornar-se crônico.

Esta perpetuação do processo inflamatório (gastrite crônica), além dos sintomas desagradáveis (“má-digestão”, sensação de “estufamento”, “dor de estômago”, entre outros) pode evoluir para um quadro chamado de gastrite atrófica, que por sua vez pode evoluir para metaplasia intestinal e câncer gástrico.

A infecção pelo HP geralmente se dá na infância e ocorre de pessoa para pessoa, sendo que o modo exato dessa disseminação ainda é desconhecido.

Sabe-se que condições socioeconômicas desfavoráveis, como difícil acesso à saneamento básico e à água tratada, são fatores de risco importantes.

Nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento a prevalência é muito elevada, podendo atingir até 50% das crianças já aos 5 anos de idade e acima de 70% aos 10 anos de idade. Entre adultos sem sintomas, os estudos confirmam a tendência observada na infância, demonstrando prevalência extremamente alta no nosso país, podendo alcançar taxas tão elevadas quanto 86 e 97,9% em população adulta na região amazônica.

Em estudo com doadores de sangue que não apresentavam sintomas, realizado na cidade de São Paulo, foi encontrada prevalência de 65,3%.

Felizmente, uma minoria das pessoas infectadas pelo HP irão desenvolver câncer de estômago. Estima-se que para cada 10.000 pessoas infectadas, a cada ano, 3 virão a desenvolver câncer de estômago. Esta grande variedade entre os infectados e os que irão desenvolver a doença pode ser atribuída a fatores individuais, como suscetibilidade genética.

Mesmo diante do preocupante cenário exposto, não há razão para pânico diante do diagnóstico de infecção por H. Pylori.

O tratamento é realizado com medicamentos (antibióticos e supressores de acidez gástrica) com taxas de sucesso adequadas.

O intuito deste artigo é reforçar a importância de se procurar acompanhamento médico de qualidade e aderir ao tratamento adequado, uma vez que a automedicação pode encobrir os sintomas e retardar o diagnóstico.

 

Dr. Samir Smaka Ivanoski Junior

Cirurgião Geral e Cirurgião do Aparelho Digestivo com Área de Atuação em Endoscopia Digestiva.

CRM-PR: 28.293

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